Escura?

Todos os capítulos estão em Estas São as Crônicas Brazilianas
A+ A-
Capítulo XXIX: A batalha por São Francisco Xavier de Tarl—harrel Parte I
Data: 10 de Maio de 2041 depois de Cristo e dia 9 do sexto mês do ano 817 da sétima era na Mesogeia, 06h00, local: praça frente à igreja matriz (ainda em obras). Toda a aldeia estava já desperta e pronta para o combate que logo ocorreria, entre os que tiveram o luxo de dormir o frade Mathias foi um dos primeiros a despertar ainda antes da alvorada e com a ajuda de alguns trabalhadores rurais (estes que mal dormiram, pois haviam pedido reforços de outros vilarejos que estavam chegando) preparava a missa que seria realizada.
O Lusitano também tinha acordado muito cedo (isso se ele tinha dormido), sua aparência era agradável, tinha acabado de tomar um banho e sua pele estava fresca.
Kuria tal como uma figura ousadamente onipresente logo apareceu e comentou:
—Garoto, está bonito hoje, tomou banho…tem algum compromisso importante hoje? (risos)
—Se é para matar e se for para morrer eu quero está minimamente apresentável para tão importante momento.
—Morrer…eu posso te poupar disso é só você pedir garoto…
Gilmar olhou firmemente, havia uma mistura de determinação e até um pouco de raiva e assim ele disse de olhos apertados para aquela deusa que já mostrou a facilidade com que elimina uma vida:
—Kuria, não importa quem você seja nem o poder que você demonstrou, eu juro pela Virgem Maria Santissima, por todos os Santos e Mártires da Igreja e acima de tudo a Deus Pai Cristo Rei que não será você esse luxo você não terá, de escolher por desejo próprio a data da minha partida deste mundo e se tu acha que te temo, veja você mesmo o que sinto ou não e medo eu não sinto.
—Garoto, você é muito ideológico…(ela sorriu) cuidado aqueles que vão para batalha tomados totalmente por um desejo maior são os primeiros a morrer…
Gilmar respirou fundo…
—Bom o que importa né? Apesar da superioridade das armas dos colonos eu acho uma sacanagem estarmos quase numa proporção de 30, 20 para 1 sei lá eu não sei, é Wizna essa porra?
A deusa riu de novo
—Me parece um cenário interessante mal posso esperar para ver.
—Isso tudo parece um jogo para você?
—Quem sabe…
—Bom eu vou comungar, com licença…
Após a missa que contava com todos os participantes na defesa da cidade, todos iam para sua posição e ainda não se tinha noticias da força tarefa enviada para socorrer.
Subindo do alto de seu SUV Gilmar pegou um megafone emprestado dos colonos e falou a todos:
—Bom dia senhores, dormiram bem? Muito obrigado a todos por participarei de um evento tão importante. Confesso que não queria está aqui na verdade era para hoje eu seguir estrada em direção ao meu destino, mas a providência divina fez que eu estivesse aqui justo num momento tão difícil quanto o que nos aguarda para que eu pudesse como bom soldado lutar lado a lado de pessoas tão incríveis quanto as que aqui eu conheci.
Confesso que não tomo a dianteira desta batalha por mérito, todos sabem da minha sorte, dos meus erros. Tomo por dever, dever ao Império, olha eu não quero morrer não pretendo morrer, mas se eu morrer então digam que os que aqui cair, caíram por estarem fazendo o que é certo.
É um momento difícil, nós temos armas que estão em relação aos nativos e aos inimigos pelo menos 400 anos à frente, mas eles têm mais homens, matemática não é meu forte, mas acho que se cada um de nós não matarmos 10, 20 inimigos pode ser que não consigamos triunfar e triunfar significa proteger este lugar, estas casas e os sonhos e os projetos que aqui estão sendo traçados e construídos.
Do outro lado há pessoas boas e más eu sinto isso, caras legais e eu acredito que por motivações até consideradas justas pegaram em armas e vem em nossa direção, infelizmente devido às circunstâncias, as somas de decisões do homem que peca até quando tenta fazer algo bom teremos que matar muitos deles, pois prefiro chorar a morte de um bom inimigo do que a de um amigo ou até que chorem a minha própria morte.
Ao bom Deus eu peço perdão a todos aqui e por todos aqui e peço perdão ao que eu farei hoje neste dia.
POIS SAIBAM QUE O QUE FAREMOS NESTE DIA É POR CONVICÇÃO SINCERA!!!!! HOMENS!!!!! AQUELES QUE NA BATALHA DECIDEM SUA SORTE JÁ ESTÃO MORTOS!!!! POIS A VITÓRIA JÁ NOS FOI DECIDIDA E NÃO DESCANSAREMOS ENQUANTO NÃO VENCERMOS!!!!!
DEUS SALVE SUA MAJESTADE D RAFAEL I IMPERADOR DO BRAZIL!!!!
VIVA NOSSA PÁTRIA, VIVA NOSSO DEUS, VIVA NOSSOS AMIGOS E NOSSA GENTE!!!!!
VIDA LONGA AO IMPERADOR!!! VIDA LONGA AO IMPERADOR!!!!!!
GOLPEIEM O INIMIGO COM SUAS BALAS E NA FALTA DELAS COM SUAS LÂMINAS E NA FALTA DELAS COM SEUS PUNHOS!!!!!!!!! QUANTO VALE ESSE VILAREJO? QUANTO VALE O CAMINHO PARA FORTE SÃO JORGE?!!!
VAMOOOOOOOS!!!!!!
Alias hoje é dia de São João de Ávila, rogai por nós!
Após este discurso aquele grupo pequeno que não chegava a cem homens gritaram tão forte (mesmo alguns nativos não entendo direito as palavras ditas, tiveram seus corações inflamados), se o inimigo ouviu então esnobou, pois continuou a organizar suas fileiras calmamente, porém a motivação do lado daqueles que estavam defendendo suas casas era muito grande.
Assim todos os combatentes assumiram suas posições, Gilmar deixou os rádios comunicadores que tinha com alguns colonos e levou o que sobrou consigo para tomar sua posição em local elevado, ele entrou no seu Veículo Multiuso e junto com dois colonos e um nativo que aprendera a atirar partiu para sua posição escolhida. Essa posição a noroeste do vilarejo ficava em um ponto um pouco elevado em meio às arvores de frente ao riacho que por trás cavava um desfiladeiro de uns 20 ou 30 metros.
Deste ponto Gilmar podia avistar o flanco direito inimigo e sua artilharia composta por alguns canhões (de energia mágica ou não) apoiados por arqueiros e alguns magos mercenários especializados em feitiços de artilharia. E desse jeito ficou o flanco esquerdo brasileiro.
O flanco direito não fora esquecido, para lá em um capão foram enviados alguns colonos com seus fuzis de caça e nativos empunhando velhas lanças e escudos. Para estes ali posicionados a missão era de interceptar as tropas ligeiras que também iriam para lá na missão de flanquear os brasileiros, o colono a quem ficou o comando fora Thomas de Carvalho Hawk apoiado pelo nativo Cinique El Irtz de Monteiro.
Outros assumiam postos nas trincheiras e havia quem estava na retaguarda pronto para receber os feridos, alguns heróis ampliaram a trincheira e cavaram mais uma vala ligando a trincheira até o vilarejo e por meio deles que os reforços chegariam à principal (e única) linha de defesa, estes ficaram sob o comando do colono Richarlesson Laís de Gama.
Do outro lado o inimigo começava a tocar seus instrumentos e cantava as suas canções de guerra enquanto suas diversas unidades se posicionavam, vendo isso uma colona chamada Maria de Silva José gritou:
—Caramba vocês deixarão o inimigo cantar e vamos ter de ouvir o que eles tocarem que palhaçada é essa? Não vou deixar barato!
A moça foi rapidamente para a aldeia onde buscou as caixas de som que ela e alguns amigos tinham trazidos e após agradecer aos céus pela bateria ainda estar cheia ela trouxe e então deixou em um ponto seguro da trincheira. Uma vez colocado ela fez tocar a Canção do Expedicionário em alto e bom som e motivados todos os colonos presentes começaram a cantar:
“você sabe de onde venho?
Venho do morro do engenho,
Das selvas dos cafezais,
Da boa terra do coco,
Da choupana onde um é pouco
Dois é bom e três é demais,
Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas,
Do pampa do seringal,
Das margens frescas dos rios,
Dos verdes mares bravios,
Da minha terra natal…”
Assim os exércitos rivais (exércitos?) cantavam e se motivavam. A primeira ação foi tomada por Antilonius que ordenou uma salva de artilharia com seus canhões pesados. Antilonius era um homem muito poderoso, orgulhoso e arrogante, mas não era estúpido, sabia exatamente contra quem estava enfrentando e por isso moveu um exército tão grande contra um aparente pequeno grupo de adversários. (Só para ter uma noção, passando apenas quatro ou cinco meses desde o inicio da colonização as forças Brasileiros ainda eram de em torno de quatro mil homens, menor que as forças de segurança alocadas em Campinas e em outras grandes cidades.)
De acordo com os planos de Antilonius, uma vez obtido a vitória em batalha e eliminado os colonos em público isso faria com que ele obtivesse apoio e reforços dos que ainda estavam presentes nas regiões próximas e com isso ao mesmo tempo em que a moral brasileira fosse afetada continuar de forma constante a realizar ataques até que com apoio das guildas ao sul ele finalmente lançaria um golpe decisivo e tomaria para sí o Vórtice.
Este homem acreditava na lei do mais forte, se um soldado sobrevivia ou morria era devido a si próprio, só os fortes mereciam sobreviver e se morressem era por culpa deles. Esse pensamento explica como tantas vidas foram sacrificadas nesta batalha afinal para um general de fina estirpe era “melhor se livrar logo dos fracos se assim fosse necessário”.
Porém fica claro o quanto de variáveis e fatores o Nobre General ignorava…
Os colonos e seus aliados em meio à artilharia resmungavam:
—O inimigo definitivamente não sabe brincar
—Gilmar! Gilmar! Está na escuta? Você não nos falou nada que os exércitos nativos tinham canhões!!! Reclamou um deles.
Nessa confusão Kuria apareceu calmamente, mesmo declarando que não iria participar ativamente dos combates ela vestia seu uniforme de marechal e interrompeu o colono que gritava desesperado no radio:
—E por que ele deveria contar a vocês se o inimigo tinha ou não armas de fogo? Fui bem clara no que disse antes da primeira leva de Brasileiros atravessarem o portal que EU CRIEI e EU disse que eles estavam ainda começando a usar armas de fogo.
Pode ser que um ou outro detalhe eu tenha esquecido ou deixado passar, acontece…
Kuria estava como sempre muito bonita era a mulher mais linda conhecida, porém seu olhar, sua fisionomia, seu ar de reprovação gerava naqueles que estavam na trincheira mais pavor do que o próprio bombardeio inimigo.
Os rapazes olharam um para o outro após a “bronca” e disseram:
—Vamos rapazes não sejamos covardes atacar!!!
Kuria interrompeu a exortação gritando:
—IDIOTAS!!!! Querem provar a Antilonius que ele está certo que vocês Brasileiros são fracos e merecem morrer logo? Imbecis se saltarem agora da trincheira o imenso número do inimigo compensará a vantagem das armas que vocês portam, logo serão mortos mesmo que descarreguem esses seus fuzis!!!! Esperem!!! Vocês não receberam nenhuma ordem e que eu saiba quem está no comando é o único que realmente se preparou para batalha!!!
Faz muitos anos que um rei me disse que um guerreiro idiota deveria no momento que fosse fazer sua estupidez ser morto pelos seus camaradas para não sacrificar os seus e nem trazer desonra ao seu exército e ele estava certo!
Logo o bombardeio acabará foram tão poucos tiros que desespero ridículo, ainda irá começar a segunda leva…por que reclama? Agradeçam se entre vocês só morrerem uns poucos enquanto isso que a terrra jorrada lhe sirvam de combustível ou alimento, respirem enquanto podem até quando puderem.
—Para uma deusa do amor até que você gosta da guerra, tem certeza que os deuses daqui são neutros? Vejo a Sra bem empolgada e interessada na situação! Gritou em meio ao barulho do bombardeio um dos colonos.
—Eu tenho meus passatempos, um dia quando estiver muito tempo livre irá entender, todos temos mais de uma vocação!!! A deusa gritou de volta
Porém aquele que a indagou tinha acabado de ser definitivamente atingido por estilhaços de metal, terra e pedra…
Os colonos gritaram entre sí
—Perdemos mais um! Perdemos mais um!
—Ver se consegue pegar as armas e munições dele e atiremos por ele naqueles desgraçados!!!!!!
—Eu juro que pego 20 e contarei um por um.
Este inspirou fundo, conseguiu pausar a respiração ofegante, parou um ou outro segundo e gritou:
—VIDA LONGA AO IMPERADOR!!!!! VIDA LONGA AO IMPERADOR PORRA!!!!! VIDA LONGA AO CÁISER D. RAFAEL I DO BRAZIL SEUS FILHOS DE UMA PUTA!!!
BRAGANÇA!!! BRAGANÇA!!! BRAGANÇAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!
VIVA D. RAFAEL ANTONIO MARIA JOSÉ FRANCISCO MIGUEL GABRIEL GONZAGA DE ORLÉANS E BRAGANÇA E LIGNE!!!!!! Gritou empunhando com suas mãos travadas segurando o fuzil e molhando o rosto em lágrimas o colono que se vira naquela situação.
Os canhões cessaram, alguns estalos foram ouvidos, mas ninguém mais ligava para isso agora estavam todos ansiosos para receberem ordens para tomar a ação (alguns faltando pouco para agirem por conta própria) enquanto isso a segunda leva de artilharia se iniciava e desta vez era de feitiços de artilharia que sacudiam ainda mais em volta da trincheira, estes feitiços pareciam uma mistura de bolas com descargas de energia e o inimigo lançou cinco levas, o suficiente para matar mais dois colonos e também três nativos fora os feridos.
Por incrível que pareça quatro pessoas estavam um tanto tranqüilas naquele momento: dois garotos que cresceram no Rio de Janeiro, um rapaz que nasceu no Brazil, mas cresceu no México e um ex—correspondente de guerra sendo que este estava muito empolgado enquanto os outros três conversavam tranquilamente sobre “tiroteios passados”.
Por último uma leva incessante e continua de flechas que foi interrompida por uma mistura de estalos e gritos vindos do outro lado.
Assim foi a primeira ação nesta batalha assim agiu a artilharia inimiga que buscava quebrar a moral daqueles poucos que estavam encolhidos nas trincheiras esperando à hora certa.
Como se jogasse xadrez Antilonius movia suas unidades, uma de cada vez, fazia sua jogada e esperava o adversário responder. Assim ele moveu seus primeiros “peões”.
Estes “peões” era a primeira linha de frente da infantaria e se constituía de mercenários de cor negra e brilhante, tão escura e bela como a noite. Vinham das terras quentes e distantes ao sul. Segundo os costumes de sua gente só poderiam ser reconhecidos como homens de honra e reivindicar o maior lugar a mesa ou reivindicar as mais belas mulheres para serem suas esposas se uma vez que pudessem atestar sua bravura e quanto mais feroz e mais distante a guerra travada, maior os louros que estes guerreiros poderiam desfrutar, até a realeza deveria lutar em terras ermas.
Estes guerreiros vestiam coletes de couro do gado criado em sua terra, calças feitas de pele de uma fera que o usuário da vestimenta deveria caçar, andavam descalços ou quando muito com uma sandália feita de papiro (ou algo parecido com o papiro), usavam penas ou pedaços de ferro ou metais preciosos para adornar suas pernas e braços.
Suas armas eram uma lança semelhante a uma azagaia ainda utilizada pelos zulus na África Meridional, os guerreiros de maior status portavam uma espécie de foice semelhante aos khopesh utilizados pelos antigos egípcios. Seus escudos eram de feito de uma haste principal de madeira sendo que no seu centro se cruzava dois ou mais hastes e em suas pontas se esticava uma tela de couro tensionada, partes de ferro podiam ser usadas para decorar ou reforçar alguns pontos, também havia quem na ponta da haste principal colocasse uma lamina geralmente importada e cara e usasse o escudo como uma segunda arma ofensiva, por fim seu desenho lembrava um pouco o tradicional Nguni dos nativos africanos de países com a África do Sul, Suazilândia, etc..
Seus cabelos crespos possuíam inúmeros tipos de cortes, mas não usavam adornos que perfurassem a pele, não possuíam tatuagens ou escarificações, pois acreditavam que só o inimigo em batalha poderia alterar cortar ou mutilar seu corpo.
Chamavam—se a si mesmos de Muntukuthuvegazis que em sua língua significa Homens de sangue valoroso. Se organizam em pequenos estados ou formam grupos seminômades, espalhados pelas terras quentes da região equatorial, ainda tem muitos grupos que devido ao seu valor em batalha vivem em outras nações que em troca de seus serviços militares lhe dão terra para viver e salários geralmente pagos em ouro.
Destino cruel! Como todos desse mundo iriam depois presenciar de formas diferentes esta ruptura que fará com que os sábios digam que a oitava era se iniciou. Os guerreiros pele cor da noite foram correndo gritando e cantando na direção das defesas de seus oponentes.
De posse do rádio a colona Maria a mesma que pos para tocar a canção da FEB chamou o lusitano:
—Trincheira para Gilmar na escuta?
—Na escuta!
—Um destacamento aparentemente de infantaria leve está em carga contra nós aguardamos ordens.
—Divirtam—se estou já a caminho
Gilmar desligou e fez contato por rádio com os colonos na aldeia solicitando novas informações dos reforços, era 8 ou 9 horas da manhã, já havia se passado mais de uma desde o início das hostilidades…ou não…
Voltando para trincheira Maria transmitiu aos seus confrades o que tinha dito Gilmar e aqueles que ali estavam receberam os guerreiros Muntukuthuvegazis com uma parede de balas disparadas por seus fuzis e rifles semi—automáticos, mas o inimigo era numeroso e como muitos dos colonos tinham pouca prática de tiro ou sua prática em nada significava quando na necessidade de tirar outra vida frente aos seus olhos, pois matar não é algo que se de fato ensina, isso permitiu apesar da desvantagem tecnológica que o inimigo alcançasse as linhas brasileiras e estes devido a sua inexperiência mesmo com sua bravura permitiram que aquele destacamento de infantaria leve fizesse um contato hostil mais próximo.
Tão obstinado estavam aqueles exóticos homens que vinham avançando correndo e se necessário saltando por cima dos seus camaradas feridos ou mortos.
Seguiu—se um combate encarniçado, o fuzil de um dos colonos deu o azar de emperrar e esse jovem rapaz que tinha lá os seus 16 anos teve que enfrentar o inimigo com estocadas de baionetas e coronhadas, foi salvo pelos disparos que seus camaradas realizavam por trás e também no meio da confusão um deles ter jogado uma pistola para que pudesse se defender, o negro foi morto com dois tirados disparos quase a queima roupa por um rapaz assustado que não escondia o choro enquanto via sua vítima vomitar sangue.
O que se seguiu foram gritos, ofensas, no espaço limitado da trincheira, combate corpo a corpo, estocadas, socos, disparos na cabeça, nas costas, disparos realizados pelos arcabuzeiros de Antilonius que de longe davam cobertura e feriram alguns colonos e nativos aliados, membros mutilados, feridas abertas, embates entre os guerreiros inimigos e os nativos aliados e em um desses embates se deu uma cena peculiar:
Atrás da trincheira o guerreiro negro e o nativo que defendia sua posição se encararam e como uma dança e ambos armados de suas lanças e seus escudos procuravam a melhor posição e por pura coincidência arremessaram ao mesmo tempo suas lanças, o nativo um senhor que há anos não pegava em armas jogou mal sua arma e feriu sem gravidade o inimigo que em compensação acertou seu adversário em cheio no peito, mas que depois foi sua vez de ser morto por vários disparos de pistola realizados por um colono que gritava desesperadamente, este colono tinha desenvolvido uma grande amizade com o nativo que agora jazia morto com a lança inimiga cravada no meio do peito.
Outros inimigos alcançavam a trincheira e eram mortos baleados no exato momento que saltavam e os poucos que ao se darem conta da derrota e recuavam era baleados nas costas.
Resultado do primeiro confronto: 500 Muntukuthuvegazis mortos em torno da única linha defensiva, 20 colonos feridos levados para o povoado as pressas que foram atendidos e tratados pela equipe que ficaram na retaguarda liderados por Kuria Efchar (“finalmente alguém para eu tratar já estava entediada”), mais 4 ou 5 colonos mortos, 15 nativos feridos e outros 5 mortos.
Algum tempo depois da batalha Antilonius recebeu uma carta de um governante Muntukuthuvegazis pedindo novidades sobre os guerreiros de sua gente. Porém só muito tempo depois o conteúdo dessa carta ficaria público.
Enquanto ocorria o massacre dos bravos guerreiros os flancos não se mantinham calmos e também houve (como de se esperar) confrontos. No flanco esquerdo brasileiro, Gilmar em cima do seu SUV com sua .50 tomou a dianteira do confronto e alvejou a artilharia inimiga acertando os canhões e alguns magos causando baixas e pânico, essa ação abreviou o bombardeio inimigo.
Nota: Na verdade cessou se não fosse esse chumbo do Lusitano que pegou os artilheiros desprevenidos muito mais vidas brasileiras e nativas seriam tiradas, a trincheira foi feita as pressas até as valas de Canudos eram mais bem preparadas.
A ação brasileira foi interrompida quando arcabuzeiros inimigos que espreitava camuflados pela mata e em uma tática que se tornaria obsoleta dispararam em linha enquanto “peltastas” iam em vão com suas lanças e dardos emboscar os seus inimigos. Mas a “saraivada” apenas chamou a atenção dos brasileiros que já recuando para evitar retaliações inimigas, não tiveram dificuldades em neutralizar o inimigo, feito isso eles abandonaram o flanco esquerdo e foram para a posição defensiva principal.
No flanco direito as coisas foram um pouco mais “equilibradas”, na mata a nordeste do vilarejo estava estacionado Thomas de Carvalho junto de mais dois colonos e um pequeno grupo de nativos com lanças, escudos e fundas, para lá foi um destacamento inimigo similar ao que abordou Gilmar e seus camaradas, este destacamento inimigo com cerca de 25 arcabuzeiros e um sem número de peltastas de início obtiveram uma vantagem no terreno. Enquanto os que tinham armas de fogo disparavam em linha mantendo o fogo constante mesmo em meio à mata, os soldados de infantaria leve aproveitavam a cobertura e buscavam flanquear os seus inimigos.
De inicio Thomas e seus camaradas se abrigaram no momento dos primeiros disparos, mas logo os brasileiros com seus fuzis de caça dispararam contra o inimigo. A mata fechada naquela parte do terreno (na verdade mais um dos inúmeros capões já mencionados que formam a paisagem por aquelas partes) dificultou que os inimigos que disparavam em linha fossem logo alvejados é como se os galhos e troncos formassem um escudo rudimentar tendo Thomas e os outros errados muitos tiros dando tempo aos seus inimigos.
Logo a infantaria leve alcançou os nativos aliados que se precipitaram e se envolveram no combate corpo a corpo e isso permitia que os arcabuzeiros que ainda estavam na luta e de onde estavam pudessem fazer mira e em várias salvas de tiro feriam mortalmente os nativos concentrados na luta (apesar de que devido à péssima pontaria daquelas armas foi muito provável de que alguns daqueles lanceiros leves tenham sofrido fogo amigo).
Porém isso teve um custo. Como o inimigo focava em abater os nativos aliados, eles cometeram o erro de se aproximar demais e acabaram se expondo muito, este erro distraído permitiu aos brasileiros fazerem mira e alvejar os arcabuzeiros inimigos forçando os que não caiam mortos a recuarem.
Faltavam os “Peltastas” estes da mesma maneira que seus adversários estavam tão centrados no confronto corpo a corpo a ponto de não haver dificuldades para os poucos brasileiros ali presentes em eliminar—los.
Estando a “área limpa” era hora de partir em perseguição aos arcabuzeiros que bateram em retirada antes, estes ainda tiveram mais uma vez a chance de atirarem em linha duas vezes não sendo suficiente para escapar da morte iminente.
Apesar da forma quase frenética em que os eventos foram relatados, todo o contato no flanco direito brasileiro foi de certa forma demorado em relação ao ocorrido nas trincheiras e flanco esquerdo, isso é indicado pelo fato de quando os brasileiros e nativos voltaram para a posição central para ajudar seus camaradas apesar de nesse retorno estarem carregando seus feridos e mortos, a artilharia do exército brasileiro já havia chegado e as ações que “atropelariam” o exército de Antilonius já se iniciaram
Voltando para as trincheiras logo após a primeira salva de artilharia e a ofensiva da primeira leva de infantaria, que fique registrado, pois o confronto naquele momento apenas se iniciara.
123080cookie-check

Tags: {{chapter_after_readerarea_novel_tags}}, ,

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Capítulo XXIX