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Capítulo XXXIV: Voltando ao que estávamos fazendo: seguir viagem.
Manhã do dia seguinte, praça principal do vilarejo:
—Cabo Gilmar Castanho em nome do exército e da Força—tarefa de socorro eu venho aqui parabenizar pelo seu papel nesta batalha.
—Coronel Vasco, não queira me transformar em um herói e lhe dou três motivos: Primeiro, eu os colonos e os nativos poderíamos estar mortos talvez sobrando um ou outro para contar história se não fossem seus homens, as táticas por mim utilizadas foram quase um desespero; Segundo, só cumpri meu dever de salvar civis brasileiros e civis inocentes enquanto estava a cumprir outra missão para mim designada e Terceiro e último motivo, eu quase fui expulso do exército e se não fosse pela confusão dos últimos acontecimentos principalmente o fato bizarro de estarmos literalmente em outro planeta do nada eu estaria agora neste momento detido.
Gilmar estava completamente exausto, nos últimos dois dias ele dormiu muito pouco isso se dormiu, na noite anterior prestou auxílio aos civis que não sabia ainda o que poderia acontecer, aos colonos sobre os próximos passos a tomar, aos feridos e também prestou auxilio os mortos que deveriam ser sepultados de forma digna apesar de que muitos mortos naquele momento estavam a caminho de alguma universidade ou museu brasileiro para um estudo “arqueológico”, os prisioneiros tinham todos já sidos levados para Forte São Jorge e o que fazer com eles era problema das autoridades imperiais.
Dormira pouco isso se dormira, pois se dormiu ele não lembrava e algum oficial burocrata cretino do QG cobrou que se redigisse um relatório de suas ações na batalha. Gilmar pensou:
—Vou usar metade do relatório só para falar sobre como eu acertei o ombro daquele idiota que atirou em inimigos que não estavam em combate ou como estourei os miolos daquele infeliz que interrompeu o cumprimento do seu dever para tentar estuprar uma civil inimiga.
Desejava um banho e era isso que tinha em mente naquela manhã, não sabia como, mas teria de seguir viagem talvez dirigisse até agüentar e dormiria onde desse.
—Cabo Gilmar!
—Sim senhor Coronel!
—Estava olhando para o vazio? Eu esqueci de dizer, sobre o soldado Wellington.
—Não tive outra alternativa senhor!
—Eu sei você fez o necessário para manter a honra do exército imperial.
—Se bem que atirar em caras com lanças, escudos e arcabuzes carregados pela boca não é bem o que chamo de honra apesar de sem me dar conta ter feito com gosto o que fiz no calor da batalha.
—Soldado, irei recomendar seu nome a sua Majestade.
Gilmar olhando de forma irônica balançou a cabeça na direção de Kuria e disse:
—Olha quem tem acesso direto ao Cáiser….
—Olá rapazes, perdi algo?
—Falando no diabo (a)
—Gilmar fez bem em eliminar aquele sujeito, pois se não o matasse eu o mataria
—Atirei no início da batalha com uma metralhadora .50 quantos acha que eu acertei? Que diferença faz um a mais ou a menos.
—Soldado, esses dilemas militares não levam a nada
—Sim senhor Coronel, assunto encerrado. (Me livrei desse assunto sem sentido).
—Sobre o relatório que aqueles oficiais de ar condicionado lhe pediram deixa comigo eu me encarregarei disso.
—Lhe devo mais uma Coronel Vasco.
O coronel Vasco Pacheco de Loronha não contou, mas ele ordenou ao infeliz que tinha atirado contra inimigos fora de combate e que teve o ombro estourado por um disparo de Gilmar que escrevesse o relatório em troca de não ter sua situação ainda mais complicada, como ele faria com um braço apenas enquanto o outro passava por uma lenta recuperação isso seria problema dele, nunca atirem em civis ou inimigos fora de combate.
Gilmar se dirigiu a pousada e lá tomou um demorado banho coisa que ele desejava desde o fim dos combates, feito isso vestiu sua farda de campanha, veste esta muito mais leve do que a usada na batalha. Sem capacete, sem colete balístico, sem carregadores sobressalentes de munição, baterias, etc, ele sentia que poderia levitar livre daquele peso extra, no ombro apenas a distintivo de soldado apesar de agora já ser cabo.
Andando calmamente para fora da pousada o português parou um tempo e admirou a fiação elétrica que abastecia o estabelecimento. Naquele momento um colono o abordou:
—Não sei se já comentaram contigo acredito que sim, mas é tão bom saber que mesmo sem tantos recursos conseguimos provir não só nós, mas os nativos com o conforto da luz elétrica.
—Espero que essa e outras colônias não fiquem igual a uma Roraima da vida isoladas.
—É isso é com nossos burocratas.
—É isso é com nossos burocratas.
—Tenho que ir, vou organizar minhas coisas
—Não se preocupe o pessoal já cuidou disso
—Muito obrigado por isso, pela acolhida e pela honra de lutar ao lado de vocês.
—Nós que agradecemos.
Apesar do desejo de seguir logo viagem o português e a deusa aceitaram relutantemente o convite de ficarem mais um pouco, pois os nativos e colonos mesmo cansados e talvez por isso mesmo, resolveram fazer uma festa, o Sr Vasco tinha solicitado o envio de mais suprimentos e quando se deram conta já era de tarde e por volta das 16:00 horas locais Gilmar finalmente conseguiu seguir viagem.
Gilmar tinha consigo apenas uma pequena mochila com algumas coisas o resto já estava pronto para viagem. Andando cansado, mas com a sensação de dever cumprido ele finalmente subiu no veículo, mas ao subir do lado do motorista Kuria o impediu:
—Aqui está sua recompensa garoto terás o privilégio de ver a mais bela dos deuses no comando de tal poderosa máquina.
—Traduzindo, você dirige.
—Claro se você assumisse a tarefa estando cansando como você está, não seria meio obvio que algo poderia dar errado? E se você por cansaço ou burrice neste estado causasse um desastre? De mim nada ocorreria, mas você seria uma alma colhida antes da hora como um fruto colhido verde e amargo não me pareceria algo digamos interessante, não ficaria contente e o que se faz com o fruto que não lhe parece agradável.
—Entre sua piedade e de meu Deus prefiro a Dele.
—Aprendi o suficiente nesse pouco tempo que compartilhamos algumas opiniões… e outra garoto acho que preciso te lembrar de uma coisinha que te trouxe aqui
—Não precisa, eu conheço minha sorte.
Gilmar estava tão cansado que logo depois desse resmungo adormeceu do jeito que estava com o torso preso na poltrona com o cinto e a cabeça pendia para um dos lados.
Kuria ao mesmo tempo em que prestava atenção na estrada enquanto dirigia com todo o cuidado do mundo apoiou a cabeça do luso—brasileiro em seus seios macios enquanto entoava uma canção que desde tempos imemoriais os mortais cantam em louvor a todos os seus deuses.
Gilmar continuava a dormir profundamente, mas passando vários quilômetros se, pois a chorar enquanto dormia.
—Ei garoto o que há?
Ele continuando a dormir murmurava palavras sem sentidos que nem a deusa entendia.
—Garoto……….deixa quieto não está me ouvindo mas continua a chorar…
Agora que me lembrei esse sujeito não está na sua primeira guerra, deve ter perdido alguém, a onde mesmo ele lutou? Sim no país dele, foi uma guerra “rápida”, mas não sem mortes, deve ter perdido algum amigo.
Mais alguns quilômetros se passaram parecia que Gilmar tinha trocado de sonho não mais chorava e seu semblante continua tranqüilo, ainda sem perceber continuava com sua cabeça apoiada e aconchegada nos seios de sua mestra e oficial imediato.
Até que ele começou novamente a balbuciar:
—Humm que macio e cheiroso, que gostoso.
Uma pausa na fala, ele começa a perceber algo errado. Acorda ainda confuso com os olhos observa a sua volta, nota onde estava dormindo e quase dando um pulo, salta para o lado.
—Mil perdões Srta Kuria, não é o que você está pensando…
Com a cara tão vermelha quanto um farolete ele pergunta baixinho:
—Eu então dormir é aí? Com os olhos apontava para os seios da deusa.
—Sim, você estava bem confortável.
—Dormi muito aí…?
—Sim o suficiente para seu corpo descansar não tenho certeza. Tem outra divindade que seria capaz de dizer a quantidade exata que você precisava um dia te apresento.
—Onde estamos?
—A caminho de Yamaris, logo chegaremos talvez na metade do caminho, como você caiu em um sono profundo percorremos uma grande distância e tudo isso graças à tecnologia do seu mundo (Kuria que estava com o vidro do veiculo baixado começou a bater orgulhosamente na porta com o braço para fora como se acariciasse um cavalo premiado).
Sabe garoto, os seios são símbolo de poder de qualquer mulher, humana, não humana e divina, conheço uma rainha que usa, como vocês chamam? Sutiã, ela usa um feito de aço e metais nobres e tem nessa linda peça que adorna seus seios o nome de todos os estados e tribos que ela submeteu.
—Sério? Deve ser alguém interessante, mas acho que ela é ou será assunto do Cáiser sou apenas um maldito soldado, ta quanto nós percorremos?
—Nessas 14 horas de viagem acredito que andamos uns 700 ou 800kms as estradas aqui são boas.
—E quanto ainda falta?
—Em linha reta uns 600 kms mas ainda temos que atravessar as montanhas.
—Que horas são?
—Deve ser umas 7 horas da manhã o senhor dormiu a noite toda e o parte da tarde de ontem
—Nos seus seios?
—Sim nos meus seios (risos).
—Por favor Kuria acho bom pararmos estou com fome preciso comer algo.
Kuria aceitou o pedido e parou o veículo do lado da estrada perto de uma ponte de pedra em arco sobre um rio, a sua direita a uns 30 kms os Aztlantartus estavam mais altos e alguns picos pareciam ter neve.
Ambos desceram e Gilmar curioso andou até a ponte, lá tinha uma estela com um texto gravado em caracteres estranhos que lembrava o grego, curioso Gilmar pediu:
—Srta Kuria você poderia ler para mim esta inscrição?
—Claro apesar de já saber de cor eu lerei para você, aqui diz:
NO ANO DE 537 DA SÉTIMA ERA O IMPERADOR GIORDANUS PRIMEIRO DE SEU NOME NO SEXTO ANO DE SEU REINADO ORDENOU A CONSTRUÇÃO DESTA PONTE PARA QUE TODOS POSSAM NELA TRAFEGAR E FAZER COMÉRCIO.
Romanizando, o texo lido por Kuria ficaria assim:
TI FASI KOU I 537 (PETE CET TRIA DEK EPTA) I ITA EPTA BASIEOKAN GIORDANUS PRIMA ONOA TI ESI FASI I REGUI IMPERATI KUO ANEKYSTA REDO I BRIGUI PUER I OMIA BORÉ KUO TI VÓTA—VÓTA ETI NAKA EPORIA.
Após comerem um lanche Kuria então mudou sua aparência e trocou de lado no veículo devolvendo o volante para Gilmar.
—Garoto depois da ponte lá para frente há uma pousada vamos parar lá, pois o trajeto que iremos percorrer depois é pelas montanhas.
—Ainda é cedo para descansarmos e as montanhas não estão longe.
—Faça o que eu digo quantas mais horas de luz termos para atravessarmos essas montanhas melhor…
—Srta Kuria, tanto este veículo quanto eu temos dispositivos de visão noturna…
—ENTÃO FAÇA O QUE QUISER SE ALGO LHE OCORRER SAIBA QUE O DESTINO DE SUA ALMA POR SUA ESTUPIDEZ NÃO SERÁ DOS MELHORES!!!!
Assim a dupla viajou por mais duas horas onde finalmente alcançaram os sopés daquela parte da cordilheira, lá havia um casarão frente à estrada, era feito de tijolos de pedra irregular, mas muito bem encaixados, tinha além do térreo mais dois andares e atrás uma espécie de granja, seus telhados inclinados acrescentavam mais um andar a fachada da frente do prédio e no terreno atrás da granja havia pequenas casinhas para guardar ferramentas, guardar os animais e armazenar suprimentos.
Uma placa em pedra escrita em vários idiomas em diferentes escritas dizia que está pousada existia a pelo menos 400 anos e tendo trocado de donos pelo menos 30 vezes.
Nota:
Quando eu escrevi pela primeira os originais dessa obra não passou pela minha cabeça de eu criar e dicionarizar outras línguas por mais que criasse nomes nativos para as localidades, fora apenas quando fiz uma primeira revisão e cheguei no trecho da Estela da ponte que senti o desejo de criar o idioma Yamareu e outros além de pelo menos dois sistemas de escrita então as falas em Yamareu anterior a este capítulo foram introduzidas depois.
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Capítulo XXXIV