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Capítulo XLIV: Urnas e aventureiros.

 

Bar e lanchonete Gauchada Galáctica, mês de Agosto de 2041, Forte São Jorge, bairro comercial e residencial ainda em construção.

Era horário de almoço, o estabelecimento começar a receber um número um pouco maior de clientes enquanto as ruas nas cercanias recebiam um asfalto provisório e as últimas tubulações de energia, água, esgoto e telefonia ainda eram colocadas.

Isso provocava um som tão constante que se tornava uniforme das obras sendo feitas, da infraestrutura sendo ampliada, dos inúmeros edifícios e casas sendo erguidos e de fundações sendo preparadas estas forneciam a sinfonia tal como o baterista em um show de rock, o som de fundo com seus bate—estacas.

Colonos e nativos se esforçavam dando seu melhor e conseguindo seu rendimento, muitas lojas visando o lucro no comércio de itens exclusivos da Mesogeia abriam em vários pontos.

Seguindo o plano diretor da cidade e futura metrópole de Forte São Jorge, os prédios, casas e estabelecimentos eram erguidos em locais pré—definidos e como não havia muitas grandes empresas e Forte São Jorge naquele momento parecia um aglomerado de pequenas vilas isoladas próximas ligadas por estradinhas, essas estradinhas se tornariam um dia largas avenidas.

A TV estava ligada o dia todo tal como o costume brasileiro em estabelecimentos daquele tipo, o proprietário um velho gaucho dos pampas de ar risonho e simpático se ocupava dos afazeres cotidianos e no balcão da lanchonete dois jovens entre seus 20 e 30 anos conversavam.

O rapaz de pele clara cabelo escuro bem cortado aborda a garota também branca de cabelos lisos não muito longos, mas também não muito curtos amarrados atrás com uma franja na frente, sua pele mesmo branca tem um tom bronzeado indicando que essa moça ficou muito tempo sob o sol. Assim o rapaz aborda:

—Bonita essas medalhas, me chamou atenção, são tantas estrelas vermelhas.

A moça por cima da camiseta de tom neutro utilizava um colete de tom verde escuro e nele ostentava suas condecorações.

—Muito obrigado, essas medalhas ganhei quando lutei com os comunistas na guerra contra os monarquistas.

—Isso dá uma boa história, quais batalhas você esteve?

—Tantas, uma que me lembro agora foi na tentativa de tomar uma cidade no triângulo mineiro foi lá que ganhei este suvenir…

A moça mostrou o que estava disfarçado pelas mechas da franja, era uma cicatriz de queimadura em volta do olho esquerdo, era um milagre ela não ter sofrido dano grave neste mesmo olho.

—Como foi isso?

—Estávamos avançando, rua a rua quando o inimigo começou a disparar granadas com um lança—granadas Milkor MGL eu acho e uma delas explodiu ao meu lado matando dois camaradas e me dando este presente.

—Sim era uma Milkor MGL de fabricação Sul—africana…

—Você não tem cara de que entende de armas.

—Posso não entender muito, mas quando vocês, digo os comunistas, republicanos, tentaram tomar a cidade eu que era apenas um professor ajudei no esforço de defesa e por isso os monarquistas me deram uma Milkor com bastante munição e me puseram a cargo de defender a posição. Se minha memória não estiver brincando fui eu que disparei aquelas granadas sobre vocês.

Após a guerra civil, como parte dos acordos de paz o governo imperial, vitorioso do conflito deu anistia a todos os militares e militantes inimigos que não cometeram crimes de guerra. O destino deles foi variado, muitos foram admitidos nas forças armadas imperiais, outros foram para o exílio e formaram a base do auto proclamado governo republicano no exílio e por fim outros retomaram ou iniciaram uma vida pacata, também lhes foram permitidos manterem as eventuais condecorações ganhas chegando ao ponto que um dia alguns oficiais tiveram a façanha de ostentar tanto condecorações comunistas e ou republicanas como também das forças imperiais devido aos seus feitos em conflitos posteriores, há até a história de um aviador que sempre pintava nas aeronaves que pilotava as cinco bandeiras imperiais brasileiras indicando a quantidade de abates que este realizou na guerra civil em combates aéreos.

—Você sentiu medo?

—Sim senti medo e você deve me odiar afinal eu quase te matei.

—A guerra ou pelo menos esta guerra acabou, eu aceitei o acordo de paz e até comecei achar o Imperador um cara legal.

O atendente chegou ao balcão:

—O seu pedido senhora e o seu senhor.

A TV estava ligada e nela o principal assunto era o resultado das eleições parlamentares.

—Fim das eleições antecipadas! Os nacionalistas do LPN e seus aliados conseguiram dois terços das cadeiras ficando os democratas, liberais e partidos menores com o outro terço.

Olhando para a garota o rapaz perguntou:

—Votou em quem?

—Na Frente Solidariedade e você?

—No Leal Partido Nacionalista.

A repórter na TV continuava a cobertura das eleições:

—Essa é mais um boletim de notícias do Terça Livre TV com novas informações, se espera que o líder do LPN o senhor Temístocles Floresti Sepúlveda atenda a convocação do Imperador D. Rafael I e aceite o posto de primeiro ministro. Nas ruas, partidários dos nacionalistas gritavam e cantavam comemorando, nas ruas se pode ouvir em meio a batuques frenéticos muitos gritarem: Mesogéia é Nossa! Colonizar é preciso! Tomemos antes que nos tomem! Se espera que com o novo governo aumente a incursão brasileira através do vórtice..

…O primeiro ministro eleito em discurso da vitória prometeu que seu governo dará todas as isenções e facilidades possíveis para atrair colonos e também que estará aberto a receber imigrantes, mas prioritariamente minorias cristãs ele também prometeu integrar os nativos na sociedade brasileira e reiterou que os nativos cujas terras forem territórios anexados pelo Império Brasileiro, tem o direito de viver onde quiserem inclusive no nosso lado do portal, por último agradeceu a boa gestão em seus mandatos de Eduardo Bolsonaro o convidou para eventuais possibilidades de integrar ou trabalhar para o novo governo e fez o compromisso de muitos ministros continuarão neste novo mandato e que ele se aconselhará com o Imperador sob quem irá manter ou substituir nos ministérios mantendo a tradição nacionalista, mas também técnica na nomeação de ministros e outros cargos chave…

Sobre isso o novo Premier declarou:

“…prometo a todos vocês e também a Vossa Majestade que criaremos e aprovaremos uma lei que garantirá a todos os nativos sob domínio brasileiro, igualdade de direitos e condições tal como nosso povo desfruta sem que isso fere as tradições dos nativos…”

—Que este governo dure porque não to afim de voltar as urnas mas me diga, é antes não perguntei mas qual é seu nome?

—Melina de Souza Vasquez e você?

—Joel Santos de Montora, é queria saber também o que pretende fazer aqui nas colônias?

—Passei bons anos da minha vida na guerra civil, devo ter adquirido experiência em algo então pretendo ser aventureira, ouvi dizer que este mundo é muito parecido com o daquelas histórias Tolkianas.

—A Terra Media agora é verde—amarela. Bom também eu pretendo ser aventureiro, por mais que tenha sofrido na guerra não consigo ficar longe das armas e por mais que eu tente, eu não presto a fazer outra coisa.

Aventureiros, um termo bonito para mercenários freelancers, gente movida por inúmeros fatores e que escolheram na aposta da vida uma forma de sustento. Há muito tempo os humanos que vivem na Terra contam entre si histórias de pessoas que em busca de ganho, poder e fama se jogam para salvar inocentes e combater monstros terríveis, muitos até fingem que são este tipo de gente dividida em várias classes cada uma com uma função, em jogos virtuais ou de mesa.

Mas na mesogéia eles tinham um nome: Nakaolabuti ou faz—tudo por ganho ou em troca de dinheiro, diferente de mercenário, estes referidos como vesilo soldum que significa Bandeira do dinheiro se referindo à bandeira ou flâmula por qual luta este tipo de soldado ou então um termo menos lisonjeiro polis proetente que significa profissional da guerra, um trocadilho com as prostitutas chamadas de profissionais do sexo. Apesar destes termos, ficou até onde não se fala português o termo Aventureiro.

Não muito longe dali a oeste, um casal de amigos que pela necessidade se uniram para que tivessem mais sucesso em suas missões, estava rumando em direção a Forte São Jorge em busca de alguma oportunidade.

O rapaz se chamava Zeblas dor Kastri, apesar de ter menos de 30 anos era alguém extremamente experiente estando na carreira de armas desde o fim da infância, na classificação utilizada na mesogeia ele era um lanceiro pesado nível 95. Era alto cabelo cortado barba feita pele clara, feições “inglesas” cabelos escuros e olhos verdes escuros. Era forte tinha que ser, pois em suas andanças levava seu equipamento e sua bagagem.

Com ele estava uma moça com seus 22 anos recém saída de uma academia de magia e que foi tomada como discípula e ajudante de Zeblas, chamada Tarbi viv i Tira. Apesar de sua inexperiência Tarbi devido ao seu conhecimento já alcançou o nível 25, é especialista em magia curativa e também de artilharia, aparenta ser muito mais jovem do que é com corpo de poucas curvas, também tem pele clara, cabelo loiro comprido amarrado em tranças, estatura mediana e olhos cinza.

Caminhavam em um ritmo constante e planejavam chegar até o final da tarde na base brasileira, quando iam atravessar uma estradinha de terra batida…

—Tarbi prosi!

(Tarbi cuidado!) Zeblas colocou o braço na frente impedindo sua amiga de continuar, enquanto isso um som distante ia aumentando rapidamente e na frente deles passou um tanque de guerra EE—T3 Osório em treinamento de rotina.

—IMBECIS! SAIAM DO CAMINHO! Gritou o comandante do tanque.

—Zeblas vulti redo! Do Ferri ei redo do kuo re crisis me corsi? Esi vulti it adero hiórsio do to cor to naka mesa i kuo!

(Zeblas veja isso! Que besta é essa que eles utilizam como montaria? Você viu o cavaleiro que a monta o faz dentro dela!)

—Me boré? Kuo ei omia metakius Tarbis esi vulti?

(Como pode? Ela é toda metálica Tarbis você viu?)

—Dan cosine ei to re barasogeios adero hiórsio?

(Então assim são os cavaleiros brasileiros?)

—Komis nóbis áanki nóbis pósse i vesper. Akima beni do redo re aliedo antia paro re it sermo i cosmo it yamareu erat to do dire eni fílos vagus.

(Vamos, precisamos chegar antes do entardecer. Ainda bem que esses estrangeiros também falam a língua do mundo o yamareu, foi o que disse um amigo andarilho.)

—Eti poi to sermo redo i barasogeios? Kuo esi paro?

(E qual a língua destes brasileiros? Ele te contou?)

—Kuo re paro to sermo i potiwaz eni opos i Pti—ghaz.

(Eles falam a língua do Cajado um tal de Poti—ghaz.)

—Potiwaz? risos

(Cajado?)

—Kaio todo ferri ech eni megari potiwaz ti anti kou do vider eni kanone.

(Bom aquela besta tem um cajado enorme na frente que parece um canhão.)

—Vulti obter ei proséni vota!

(Veja outro se aproxima anda!)

Eles atravessaram a estradinha e continuavam a andar quando pararam e viram outro tanque de guerra também um Osório e observaram ele enquanto avançava disparar. Dentro do blindado após alguns segundos a tripulação ouviu:

—Atenção MBT Sasuke Uchiha, alvo atingido bom tiro! A tripulação gritou comemorando por acertarem o alvo a quase 5kms.

Voltando para os aventureiros, depois de uma longa caminhada eles chegaram ao perímetro da base e se dirigiram a um posto de controle onde Tarbis chamou em yamareu o soldado na guarita:

—Paroka ezi boré ze mo re asiou fop onoa aquid kuo puer mo re asiou?

(Por favor poderia nos ajudar ou chamar alguém para nos ajudar?)

O rapaz olhou com uma cara de duvida, em cima da guarita havia uma placa de instruções nos seguintes idiomas: Português, Yamareu, Inglês e Japonês que dizia:

Base Militar das Forças Armadas Imperiais e Reais Unidas do Brazil, base de operações do 1º Exército Colonial do Império e do 1 ºComando Aéreo Colonial Brasileiro.

Observando os visitantes o rapaz virou para trás e gritou:

—EDMAR! EDMAR! VEM CÁ AGORA!

—Que foi mano?

—Edmar, tem uns nativos aqui vem ver.

—É para isso que você me chamou?

—Não mano é para chamar alguém que fala a língua deles porque não entendo porra nenhuma, você fala a língua dos caras?

—Nem mano chama lá aquele adjunto que a aquela deusa indicou será que ele ta aqui?

—O meio elfo? Ele vive vagando por ai.

—Não, parece que tem uns que foram contratados pelo exército e trabalha conosco.

—Edmar chama um oficial direto ele deve saber.

—Beleza vou procurar o André

André Riel Andreotti, Primeiro Tenente de 28 anos da Infantaria natural de Taguatinga, Domínios da Coroa da capital Imperial recebeu a chamada e trouxe contigo o seu colega um grande lingüista por hobby que não viu dificuldades em aprender as línguas da mesogeia e que como ele, também era Primeiro Tenente de Infantaria vindo da vizinha Riacho Fundo também pertence aos domínios da Coroa da capital Imperial. Este amigo de André se chamava Miquelangelo Solferino Neto e era dois anos mais novo que seu amigo.

Chegando para os aventureiros ele prestou continência e se apresentou:

—Zi—oh filo ego ei it Primeiro Tenente Miquelangelo Solferino Neto um do bornavo?

(Olá amigos sou o Primeiro Tenente Miquelangelo Solferino Neto, em que posso ajuda—los?)

—Primeiro—Tenente? To do id redo?

(Primeiro—Tenente? O que é isso?)

—Id me eni dési eni esi re non ech aquid i nato?

(É como um posto, um cargo no exército, vocês não tem algo do tipo?)

Miquelangelo se dirigiu ao soldado Edmar e ordenou:

—Abra o portão, por favor, eles têm a minha permissão diga a eventuais oficiais superiores que assumo a responsabilidade.

—Sim senhor! O rapaz prestou continência.

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Capítulo XLIV