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Capítulo XLV: Muito barulho aqui eu vou fechar a porta.

 

—Inr—bit re eti mo sinovo re paroka

(Entrem e me acompanhem, por favor.)

Os aventureiros atravessaram os portões, um dos vários no perímetro exterior da base. O perímetro da base era feito com concreto especial reforçado em sua estrutura por barras de aço, segundo os engenheiros da época aquilo era capaz de suportar impactos de mísseis, mas não sabe até que nível de poder destrutivo a estrutura agüentaria o que é uma informação secreta.

Esta base estava em constante ampliação, mas tinha muitos elementos definidos como os setores da aeronáutica e do exército cuja divisa era as vias que saiam do portal sendo o lado sul reservado ao exército e o lado norte a força aérea com suas pistas de pouso e decolagem.

Atrás, de costa para as montanhas havia o complexo científico e turístico com teleféricos, estradas e trilhas levando ao topo ainda em fase final de obras. Dentro da base os elementos que se encontra em todas as bases militares: prédios administrativos, alojamentos, algumas habitações, postos médicos, refeitórios, pequenas lojinhas, quadras de esportes e um ou outro campo de futebol (sobre a parte esportiva, volta e meia uma equipe brasileira ia jogar na base japonesa ou uma equipe japonesa ia enfrentar os brasileiros), postos da polícia do exército, campos de treinamento, baterias e sistemas antiaéreos, monumentos, mastros, uma igreja católica, uma igreja evangélica, um centro espírita, museus e até escolas onde elementos da cultura e da língua da mesogeia eram ensinados e para os nativos o mesmo era ensinado referente ao Brazil como sua língua e costumes. Tudo organizado em ruas pavimentadas e largas, um pequeno bairro militar.

Do lado de fora da base no lado sul estava sendo construindo a cidade com o mesmo nome da base, mas não sem antes ter amplas áreas reservadas para exercícios mais pesados de combate e também treinamento da artilharia. Em alguns pontos a malha urbana do plano diretor quase tocava o perímetro da base, mas em outros pontos tinha terrenos com pelo menos 3 ou 5 kms de largura (principalmente nas áreas mais a oeste e também na zona de montanha a leste).

O oficial Miguelangelo ou como seus amigos chamavam: tartaruga laranja chamou um Agrale e pediu para o motorista que levassem ele e os aventureiros até o prédio administrativo.

Assustados com tudo o que via, os visitantes nativos ficavam fazendo comentários sobre tudo o que via enquanto observava o cotidiano da base.

—VULTI ENI VAGOMIOKAN NON HIÓRSIO! OMIA SIDER!

(VEJA UMA CARRUAGEM SEM CAVALOS! TODO DE FERRO!)

—Cotisa redo onoa automóvel id poá coine riqui eti ti norum cosmo kou it mesu nos cet fasi.

(Moça isso se chama automóvel é muito comum aqui e no nosso mundo a pelo menos cem anos)

Chamando Tarbi de canto, Zeblas comentou que tinha visto há uns três meses em uma missão no qual a moça não pode participar, um figurão local se ostentando com um veículo semelhante ao que eles estavam.

—Zeblas ego non entel sas sermo al Tarbi ecaira delou skio rina nóbis posse riqui aleo vendut re mo especime i deng coine puer se ech nis kébus eni tanto kaio i soldum.

(Zeblas eu não entendo sua língua, mas Tarbi caso queira saber, desde que chegamos aqui, de vez em quando vendemos versões de uso comum para quem tenha em mãos uma quantia boa de dinheiro).

Tudo lhes chamavam a atenção desde os prédios que devagar começavam a despontar na cidade de Forte São Jorge a coisas simples da rotina, se bem que às vezes aconteciam algumas coisas peculiares como a cena em que uma oficial da cavalaria corria pelas calçadas da base brandindo uma pistola atrás de um cadete gritando:

—VOLTA AQUI DESGRAÇADO QUEM É LEGAL LOLI?!!!!! A PRÓXIMA VEZ QUE VOCÊ ME CHAMAR DE ALMA LISA EU TE MATO!!!!!

Também chamava a atenção dos aventureiros, as quadras de esporte onde os soldados em tempo livre disputavam incontáveis partidas de futebol e dentro das quadras se fazia inúmeros duelos de judô, jiu—jítsu, capoeira e caratê (se bem que a moda entre os evangélicos e os de origem judaica era praticar Abir Judith).

O clima era tranqüilo, mas paradoxalmente barulhento um entra e sai de trens, ônibus e caminhões com carretas, obras de construção e ampliação por todo lugar, pelotões de soldados correndo pela base cantando músicas para manterem ritmo, caças manobrando nos céus, alto—falantes transmitindo notícias e instruções entre tantos elementos.

O Agrale que transportava os aventureiros e o oficial chegou a um edifício de Três andares, tinha bastantes janelas e era pintado de um tom branco levemente acinzentado, subiram até o último andar, chegaram a uma sala de reuniões:

—Paroka inr—bit re ego ire calar it tor riqui esere poá olá—tomolto. Kaio filos to lógis i figou nóbis esi re inr—bit re non vandaval id do antepi nóbis do omene me esi re pai ze re komi mécri riqui um basti i labori. Jifatou to falangis iperio aviare zo to re cosinium i gemi eni regimento i milipassus pecurial echima puer nakaolabuti me esi re.

(Por favor, entrem, eu irei fechar a porta aqui está muito barulhento. Bom amigos o motivo de deixarmos vocês entrarem sem problema é que prevíamos que pessoas como vocês iriam vir até aqui em busca de trabalho. Por isso o comando do exército iniciou os planos de criar um regimento de infantaria especial formado por aventureiros como vocês)

—Peso recepteri re mo i butidique? Ech re mo eura it leia?

(Quanto receberemos de recompensa? Teremos direito a espólios?)

—Non esi re ei labori re nobosco recepteri jo eni salário imosi igeno i 4.000 (tari klie) reais delahi ech eura to domis eti omia to re aésio do to re norum re infanatoka eti ech jo eura antia i it zeder sigra tanto i dia i ipireas i kediva re eni fop pia dia i escala eti 20 (duo dek) dia i vaciones puer fasi eti afita i duo fasi i ipireas ech jo eura it itimar it citoenia brasileira.

(Não, vocês se trabalharem conosco receberão um salário mensal inicial de 4 mil reais além de ter direito a moradia e todas as comodidades que os nossos soldados e terão direito também de, a cada certa quantidade de dias de serviço, ganharem um ou mais dias de folga e 20 dias de férias por ano, depois de dois anos de serviço terão direito a solicitar a cidadania brasileira.)

Tarbi ficou com uma cara de duvida, alguns termos eram estranhos para ela e sequer tinha palavras em yamareu equivalentes, assim ela iniciou uma série de perguntas:

—Salário Mensal? Me cosine non estipendi jo me butidique opos me nakare me to re nakaolabuti?

(Salário Mensal? Como assim não nos pagarão com recompensas tal como fazem com os aventureiros?)

—Salário esi re recepteru jo omia mosi i geno 4.000 (tari klie) reais.

(Salário, vocês receberão todo mês inicialmente 4 mil reais.)

—Reais? To do davo naka me reais?

(Reais? O que dá para fazer com reais?)

—4.000 (tari klie) reais id to fortune ibid duo florins i auro.

(4 mil reais é o equivalente a dois florins de ouro)

Tarbi a única da dupla que falava yamareu continuava fazendo o papel de “mediadora” e negociadora” e traduzia tudo ao seu colega.

—2 florins de ouro parece ser um bom salário vamos aceitar, pergunta o que temos que fazer que tipo de missões. Disse Zeblas de canto para Tarbi, ela concordou e perguntou ao oficial:

—Poire claus fop nato i taffer nóbis ti redo i “regimento” fatiza nóbis?

(Quais classes ou tipos de missões nós neste regimento realizaríamos?)

—Me eni iperio pecurial esi re id folti i iperio i falangis fatiza jo taffer me “infiltração”, “sabotagem”, géo agnori, maquia um ecos iburje sater i citoe holocal i teopalius releioefima endia oter paraguema nobis to re comissat vulti re mo me timeca redo ketus.

(Como um comando especial vocês, é vontade do Comando do Exército, realizarão missões como: infiltração, sabotagem, reconhecimento de terreno, combate em ambiente urbano, resgate de civis vítimas de desastres, caridade, entre outras coisas nós os oficiais veremos como se desenvolverá este grupo.)

—Peri poá verbi do non sapio fop ego croi do non verbo aquid do vider um yamareu esi boré ze mo doci to episte i zeder verbi do non ego entel?

(Há muitas palavras que não entendo ou acredito que não exista algo parecido em yamareu, você poderia me explicar o significado de cada palavra que não entendi?)

—Ego delou ze boré manat óra doci—is zeder verbi eti kod ibid deng re mo al non ego boré naka redo puer “nativos” me esi re eti oter do komi mécri riqui ibid ipera citoe i “sua majestade” ibid Basieokan imperari do estampare um ipoá aquid re codize eti filhadio doci—is um yamareu eni krais i norum sermo, consetuo eti rulabiols.

(Eu queria poder ficar horas explicando cada palavra e por que a usamos, mas não posso fazer isso, para nativos como vocês e outros que vem até aqui, o governo de sua majestade o Imperador ordenou que se imprimissem em massa, alguns livros e panfletos explicando em yamareu um pouco de nossa língua, costumes e modo de vida.)

—Ego ire eni esi boré ze mo davo?

(Vou querer um, poderia me dar?)

—Ego ei ecario to davo eti faie esi recepteri esi. Seftare me sageta ti redo i nobis taski. Kod non manat re eni krais pia riqui? Esi re boré jo reporarchi eti ipno redo nossis riqui amrio it to nale i dia esi re boré jo davo it vare eti emancips i toti boré jo manat pia nossis eti afita cotinua me vunchere

(Sou obrigado a dar e logo você receberá. Pensem com sabedoria nessa nossa proposta. Por que não ficam um pouco mais aqui? Vocês poderão descansar e dormir esta noite aqui, amanhã ao final do dia vocês poderão dar a resposta e independente da mesma poderão ficar mais uma noite e depois seguir como desejarem).

Terminada a reunião os aventureiros foram levados até o alojamento onde passariam a noite e depois autorizados a passear pela na grande área aberta aos civis.

Ficaram discutindo na língua de Zeblas, um dialeto do Oeste da Mesogeia sobre se deveriam ou não aceitar a proposta, o que havia sido oferecido por mais generoso que possa parecer era algo totalmente distinto do esperado para um aventureiro.

Enquanto estavam imersos na conversa chamou atenção deles um campinho de futebol, uma das várias áreas reservadas à prática esportiva e desportiva da base militar (alguns desses espaços ainda estavam em obras). Neste campo duas equipes de recrutas que estavam de folga disputavam uma partida o que levou aqueles curiosos aventureiros a ir e se sentarem para verem aquele que para eles era um jogo novo.

—Ludo endiofero ria ego ech zo vulti aquid do vider.?

(Jogo interessante já tinha visto algo parecido Zeblas?)

—Puer mo milepassis prima i ech zéro ria vulti eni re omada akisar aquid do vider ei to do sfer ei verbo i kisti i minus i tari orni?

(Por minhas andanças antes de te conhecer já vi umas tropas praticarem algo parecido, será que a bola é feita de bexiga de bisão de quatro chifres?)

—Boré pia kuo re redo re barasogeio non ech eni genói megaro?

(Pode ser, mas eles estes brasileiros não tem um conhecimento maior?)

—Toti ei non ureite do kuo re ech ze to finani do non peri non kalit puer aquid me eni sfer eni lico kalit kisti.

(Mesmo assim, não acha que eles teriam a conclusão que não há nada melhor para algo como uma bola um material melhor que bexiga.)

—Nóbis non zéro redo rénun non ei krais sófi fim cosine to do kuo re deng? Esi mo dire do puer pia to ego ech zuleni i ti gimasie kuo ego krosmi krai sófi i cosmo.

(Nós nem conhecemos direito este reino não seria pouco sábio concluir assim o que eles usam? Você mesmo me disse que por mais que eu tenha aprendido na academia eu ainda pouco sabia do mundo.)

—Dinamo ei i keos eni dia ego delou zuleni redo ludo ei esi do kuo re ludo me klias ekpa? Se ei tórra ti cros kuo ego esere me fame

(Pode ser de qualquer jeito um dia quero aprender este jogo será que eles jogam como forma de treinamento? Quem sabe, agora no momento estou com fome.)

Zeblas pegou sua “carteira” um saquinho de couro aberto e fechado por uma cordinha e contou suas moedas.

—Tarbi ego ech riqui dek nomis do ei to do sinistra i lasd labori norum ei esi do davo puer mandri?

(Tarbi tenho aqui 10 nomis que é o que sobrou do nosso ultimo trabalho será que dar para comer?)

—Faiquerredi? Ego esere zeder pia prone to apodetchi it taski fadio puer barasogeios.

(Só isso? Estou cada vez mais inclinada a aceitar a proposta feita pelos brasileiros.)

—Kaio komi nóbis mandri

(Bom vamos comer.)

Eles olharam a sua volta procurando algum lugar, não entendendo nada do que estava escrito nos letreiros foram guiados pelo cheiro até uma lanchonete chamada O Polvo ET. Por meio de gestos e sons ininteligíveis acabaram pedindo uma grande porção de batatas fritas com cheddar acompanhada com duas garrafas de Tubaína. Pagaram com os 10 nomis de prata de Zeblas que resmungou dizendo que lá ia todo seu dinheiro.

O caixa contou as moedas uma por uma, conferiu e chamou o dono do estabelecimento que junto com uma tabela que possuía impressa, conferiu novamente as moedas, abriu a caixa registradora guardou as moedas e deu algumas notas de reais de troco para os aventureiros. A refeição tinha dado 50 reais e os aventureiros receberam em moeda brasileira o equivalente a 150 reais.

Tarbi olhando com minúcia e curiosidade as notas disse:

—Redo ei to opôs real i re barasogeios? Kuo re ei soldum i sarti? To do esi ureite Zeblas?

(Esse é o tal do real dos brasileiros? Eles usam dinheiro de papel? O que você acha Zeblas?)

—Ei kuo re ureite alius redo sarti dirum ei beni disco i cano vulti peso re lepti eti redo efigi ti midio kou? Non ego vulti calite pare naka eni emi utopeo seco? Ei esi do ei to Basiokan i kuo re?

(Se eles acham valioso esse papel, deve ser bem difícil de confeccionar olha quantos detalhes e este retrato no meio? Nunca vi artista conseguir fazer um tão perfeito, quem é este cara? Será que é o Imperador deles?)

—Ei nóbis apodetchi to labori ire uo estiperdi norum mo redo.

(Se aceitarmos o emprego irão nos pagar com isso.)

Zeblas fica sacudindo para cima e para baixo as notas.

—Ei poá fos non ei emi ramps eti parne peso soldum i auro i ágio al eti beni pia elo i cario vider eni kaio Idea ei oter omene redo i rénun apodetchi re redo sarti mo soldum eti butidique…

(É muito leve, não é tão brilhante e bonito quanto moedas de ouro e prata, mas é bem mais fácil de carregar, parece uma boa idéia se outras pessoas deste reino aceitam esses papéis como dinheiro e recompensa…)

Enquanto examinavam com uma curiosidade infantil as cédulas os outros clientes do estabelecimento geralmente soldados em horário de folga que iam atrás de lanches baratos ou burocratas que comiam na correria, olhavam atônitos aqueles dois nativos.

Ainda era por volta das 15:00 horas locais e Zeblas e Tarbi continuava andando passando o tempo, vez ou outra quando iam passando por alguma rua eram impedidos pois sem saber entravam em áreas restritas de resto tudo corria bem com exceção dos momentos em que o os aventureiros ficavam assustados quando algum piloto exibido dava um rasante com seus caça a jato ou turboélice.

Depois caminharam mais um pouco e viram uns praticantes de HEMA (Historical European Martial Arts) em outra quadra. Essa modalidade esportiva que começou a ganhar força nos anos de 2010 é uma tentativa por meio de pesquisas históricas de reviver as técnicas marciais européias utilizadas desde a idade média até a popularização das armas de fogo, em outros lugares tem o nome de Esgrima Histórica. Os praticantes desta modalidade marcial eram membros de um Clube chamado New Horizons cujo logotipo ou brasão era duas espadas cruzadas sobre um escudo num canto enquanto em primeiro plano uma gravura representando a sonda espacial de mesmo nome que naquele momento estava em algum ponto nos confins do sistema solar.

Aqueles entusiastas das artes marciais européias por estarem vestindo em seus treinos armaduras de aço ou cotas de couro e algodão, fora confundidos por Tarbi e Zeblas por outros aventureiros:

Tarbi até iria falar algo para eles em yamareu nas desistiu quando notou que a fluência em português dos rapazes indicava que eram brasileiros. Mal teve tempo para concluir seu raciocínio e a maga viu Zeblas indo em direção aos soldados, louco para treinar golpes de lança e bloqueios de escudo.

E assim ficaram até o anoitecer praticando técnicas de espada, lança e escudo e mesmo no caso de Tarbi, magia, ficaram assim mesmo sem os aventureiros nativos por um lado e os brasileiros de folga conseguirem se entender verbalmente.

O toque do fim do expediente ressoava pelos alto falantes e trazia alguns informes e notícias, era o sinal da chegada do anoitecer, os turnos de muitas tropas eram trocados, mas o entre e sai pelo vórtice continuava o que tornava aquele ritual algo meramente formal, pois em uma cidade moderna seja militar ou civil a vida não para e ainda mais levando em consideração que Forte São Jorge estava em média quatro horas à frente de Brasília, muitas atividades ainda iria acontecer e outras nem paravam como as obras que por anos farão parte da paisagem, por anos iluminarão a noite. Se não fosse por uma hora o fuso de Forte São Jorge seria quase idêntico ao de Lisboa, ponto de partida dos ancestrais do Império da Serpe Verde.

Foram então para um dos prédios dos alojamentos o mesmo que mais cedo tinha sido apresentado a eles e em uma das sacadas mais altas a virada para o sul contemplaram as luzes da cidade em obras, da capital colonial brasileira. As poucas luzes dos bairros que nasciam, das ruas, dos canteiros de obra criavam ainda em contraste com aquela escuridão estrelada, pontilhada por corpos astronômicos que da Terra eram difíceis de estudar, um véu branco de luzes. Uma imagem digna de ser admirada por modernos brasileiros e ainda mais os nativos da imensidão da Mesogeia.

—Kons apodetchi to angibo?

(Vai aceitar a oferta Zeblas?) Perguntou Tarbis

—Kod non? Ria apodetchi nóbis taffer emi poiki facim re mo tosi xantá naka re mo kitá lunais cerca i redo to Idea i medafis eni bonen do recepteri eni mercê (eni megari mercê) ideleo ego vider beni endiofero.

(Por que não? Já aceitamos missões tão diversas, enfrentamos tantos inimigos, fizermos várias loucuras, perto disso a idéia de virar um peão que recebe um soldo (um grande soldo) em dia me parece bem interessante.)

—Dan komi nóbis naka i redo to megari iseka to do polus nonlosis mo nóbis anazi rini do esi apodetchi redo lunais komi nobis labori puer redo polus miradictu do vider ech pia sageta eti pia torfrarlur do to re megari begaski do ei zéro.

(Então vamos fazer dessa a maior aventura que a gente errante como nós busca desde que você aceite essa loucura vamos trabalhar para essa gente estranha que parece ter mais sabedoria e mais objetos mágicos que os maiores arquimagos que se conhece.)

—Tostremo redo “sófinisa” dequere

(Brindemos está “sabia” decisão.)

Os dois amigos pegaram seus cantis cheios da mais tradicional e alcoólica bebida que se pode comprar pelas andanças, bateram com força um contra o outro e beberam os últimos goles que neles continham. Tarbi comentou:

—Todo comissat barasogeio do recepteri go norum dire do póta gia ipno ei puer continua nis eni losis deti “almoxarifado” kuo davo go it onoa i eni cotisa eti dire puer seachi kuo.

(Aquele oficial brasileiro que nos recebeu disse que quando formos dormir era para passar num lugar chamado “almoxarifado” ele deu o nome de uma moça e disse para procurar ela.)

—Istum ire—mo um

(Certo iremos lá.)

Voltando para o térreo mostrando um papel escrito “Almoxarifado” foram encaminhados para uma representante da raça dos homens—gatos chamada Iérsia Zemi El Darzo, ela fora contratada porque sabia falar muito bem o yamareu e estava progredindo no domínio do português brasileiro.

Conversando com Tarbi, Iérsia deu para cada um dos dois aventureiros, uma muda de roupa em cores verde oliva e bege, alguns produtos de higiene, indicou onde eles poderiam se banhar e também que logo na sala de filmes haveria uma exibição e se eles quisessem poderiam assistir, por fim indicou o que fazer com seus trajes e deu a localização dos dormitórios masculino e feminino.

Cada um se dirigiu para um dos inúmeros chuveiros individuais que existiam tanto no banheiro masculino quanto no feminino, apesar de tudo parecer muito novo para eles alguns elementos dos modernos banheiros brasileiros eram familiares já que algo semelhante a chuveiros existiam em vários lugares da Mesogeia onde podiam ser encontrados com diferentes graus de refino ou tecnologia.

Uma vez limpos e refrescados foram para o auditório onde era noite de se passar aqueles filmes de tiroteio e pancadaria dos anos 80 e 90. Ainda não entendendo nada Tarbi e Zeblas ficaram atônitos vendo aqueles filmes americanos estudando cada detalhe buscando por meio de uma obra de ficção um tanto caricata, mas ainda divertida, conhecer a forma terrestre de se fazer a guerra.

Van Damme, Silvester Stallone e Charlers Bronson eram bons professores…

Enquanto isso…

Glossário e Notas:

Abir Judith: Supostamente é uma arte marcial antiga judaica quase perdida que foi reavivada por um dos últimos praticante cuja família passava de geração em geração os movimentos e golpes inspirados no alfabeto hebraico.

Mea Culpa: O casal de amigos aventureiros não necessariamente falam em yamareu, mas também não falam português então botei seus diálogos na primeira língua que como disse é o inglês daquele continente.

HEMA: Sigla em inglês para Historical European Martial Arts é uma arte marcial também chamada de Esgrima Histórica que visa reavivar as técnicas de combate principalmente da idade media, mas também há praticantes focados no estilo dos antigos hoplitas da Grécia clássica, existem campeonatos mundiais de seleções chamado de Battle of Nations onde até países do oriente disputam partidas onde se realizam combates simulados com armas e armaduras entre as equipes.

Serpe: Animal similar a um dragão, mas com duas patas em vez de quatro, era símbolo dos lusitanos povo celta de onde hoje é Portugal, depois se tornou símbolo dos portugueses e como conseqüência dos brasileiros, no simbolismo e também propaganda do Brazil como nação forte, ele é representado por uma Serpe, também e por isso é o símbolo desta série de histórias tendo o autor um apresso particular por ela.

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